Então o Almitra disse: “Fala-nos do amor".
E ele ergueu a fronte e um silêncio caiu sobre todos ,
e com uma voz forte disse:
”Quando o amor vos chamar, siga-o,
embora seus caminhos sejam agreste e escarpados;
e quando ele vos envolver com suas asas cedei-lhe,
embora a espada oculta na plumagem possa ferir-vos.
E quando ele vos falar, acreditai nele,
embora sua voz possa despedaçar vossos sonhos
como o vento devasta um jardim.
Pois da mesma forma que o amor vos coroa,
assim ele vos sacrifica.
E da mesma forma que contribui para
vosso crescimento, trabalha por vossa poda
-como feixes de trigo ele vos
aperta junto ao seu coração.
Ele vos debulha para expor sua nudez.
Ele vos peneira para libertar-vos das palhas...
O amor não possui, nem se deixa possuir.
Pois o amor basta-se a si mesmo...
Dai vossos corações, mas não os
confiai à guarda um do outro.
Pois somente a mão da vida
pode conter vossos corações.
E vivei juntos, mas não vos aconchegueis em demasia.
Pois as colunas do templo erguem-se separadamente
e o carvalho e o cipreste não crescem à sombra um do outro”


Extraído de “O PROFETA”- Gibran Kalil Gibran

 
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